quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Sangue, ossos e manteiga

Quando criança, Gabrielle Hamilton, atualmente proprietária do badalado restaurante Prune, no East Village, em Nova York, viveu em fazendas e teve contato com a vida pulsante do campo, suas densas florestas, riachos e seus celeiros centenários. Neste cenário exuberante e bruto, a autora, filha caçula de uma leva de cinco irmãos, constrói as primeiras páginas de "Sangue, ossos & manteiga", seu autobiográfico romance de estréia. O livro, que lança o leitor em um mundo sensorial pleno de imagens, cheiros e texturas, vai além de um registro de memórias escrito em primeira pessoa e capaz de revelar a trajetória pessoal e profissional da chef de cozinha. A autora investe na narrativa, nos detalhes e sentimentos das personagens descritos minuciosamente sem perder a leveza. A relação com os pais, particularmente com a mãe, francesa e muito habilidosa na cozinha, se desenha através dos acontecimentos e também da impressão que eles causam. As caminhadas com a mãe na primavera, na floresta próxima da casa da família, despertaram na escritora os sentidos tão preciosos para quem lida com odores e sabores. Desta maneira, rememora, ela aprendeu, por exemplo, a distinguir os verdadeiros chanterelles de seus similares alaranjados venenosos e a colher dente-de-leão e montar uma salada, usando muita gordura, ovos e bacon para temperar o amargor. Enquanto a maioria das mães estava sempre alerta pra impedir que seus filhos enfiassem pedaços de pau, pedras ou insetos na boca, a sua, pelo contrário, a “trancava fora de casa” todos os dias, mesmo na chuva, e demonstrava como comer lesmas e grama.





2 comentários:

angela disse...

Fiquei interessada!

engenheiro almeida disse...

Oi, Angela! Ainda não o li, mas também fiquei interessado...Feliz 2012, Engº Almeida.